20 March 2006

love's a dog from hell.

oi,

estou mortificada por ter lhe contado sobre isso confiando na sua memória falha. mas a gente só lembrar quando convém, ou quando a curiosidade nos move.

queria agora realmente saber o que falar, já que talvez você chegue a ler isso. antes eu podia ser piegas, podia me exceder, mas desde antes me envergonho. e penso inúmeras vezes se vergonha é o que eu deveria sentir. afinal não é mentira, afinal não é encenação e eu não ganho nada, a não ser a certeza de ser uma idiota. apaixonada.

penso que talvez eu devesse parar. ou não. não sei.
ou devesse sair. não tenho nada a perder. se estou aqui sei que logo não estarei mais, sei que tu também logo não estarás, sei exatamente até onde tudo isso pode chegar. e que não é longe.
provavelmente se. o que me impede: medo da rejeição.
rejeição é uma maldição que sempre me acompanha.
além das escolhas erradas. fatos.

não vou pedir desculpas dessa vez ao menos, mas sim obrigado.
pelo presente que foi sua sua companhia.
não ficar sozinha foi o melhor presente que poderia ganhar.

juro que queria saber o que fazer. mas nunca sei. só sei do que sinto. só sei do que já aconteceu.
não, não vou continuar com essas cartas bobas de amor. talvez você não queira cartas de amor, você merece coisas mais brilhantes e excitantes que minhas histórias bobas, que palavras repetidas.

talvez eu volte ao ponto de partida, talvez você me deixe te ver partir.
talvez você deixe eu me aproximar, já que a única coisas certa é que iremos embora e talvez nunca mais nos veremos novamente. é um nunca muito perto.
talvez não.

e nesse monte de talvez eu fico tecendo as considerações mais bobas, dignas de um roteiro de filme meloso de quinta categoria. porque sou previsível demais, porque o fim é um clichê piegas, porque meu mundo não faz parte do seu mundo, porque você sempre foge com um medo de algo que eu não sei entender. ou foge ou me manda fugir, ou me forçar a desistir.

mas acontece que eu não desisto.
não até o momento que eu tiver a plena certeza: acabou.
o quê? as chances.
de quê? isso eu também não sei.

mas me lembro de uma certa vez ter te pedido uma única chance, e lembro que respondeu exatamente assim "Claro que eu te dou uma chance. Mais de uma até. Quantas quiser.. até você se cansar de mim". o ponto é: eu não me canso.

essas cartas estão tomando um rumo perigoso, pelo menos para mim. cada vez me expondo mais. mais. e mais um pouco.
quero lhe dar essa parte de mim, porque o nunca mais é logo ali, alguns meses adiante, e assim como eu vou lembrar de você, de tantas outras coisas, queria que você levasse essa parte contigo, uma lembrança.
a intensidade de não medir esforços.
de amar.
isso, amar, mesmo quando o amor não é solicitado, não é bem vindo, é escorraçado.
e de negar.

então a questão é: perdi o rumo. o que eu tentei mesmo lhe falar ali no início?
tudo o que eu quis dizer e talvez não consegui, é aquilo que te contei naquela noite. foram aquelas desculpas lamuriosas que sempre pedi. é um pedido de desculpas por não ter te escutado, ter me apaixonado. ter ido tão longe. e ainda assim, continuar agora.

talvez eu volte ao ponto onde comecei, talvez eu esqueça conscientemente daquela noite, mas a verdade ainda estará vibrando por aí uma vez que já foi dia.

e tentando prever algo sei que você irá ignorar isso tudo, mais uma vez.
que irá se calar, agora que sabe sobre o que falo, mais uma vez.
mas acho, e nunca poderei garantir, agora eu também irei. ignorar. calar.
porque eu já falei demais.
porque se tudo que antes poderíamos usar como desculpas se desfez, a mim só sobra aceitar o que antes não aceitei.
ou não, talvez eu tente um pouco mais.
não sei.
depende ainda de você.

não vou me desculpar dessa vez, apesar dessa bagunça toda. ignore se assim lhe for melhor. como sempre.
inclusive pode ignorar isto também
Te amo.

sua, M.

1 comment:

Luíza said...

Bem bonito isso.