13 November 2009

I wanted someone to enter my life like a bird that comes into a kitchen and starts breaking things and crashes with doors and windows leaving chaos and destruction.
This is why I accepted her kisses as someone who has been given a leaflet at the subway.
I knew, don't ask me why or how, that we were gonna share even our toothpaste.
We got to know each other by caressing each other's scars, avoiding getting too close to know too much.
We wanted happiness to be like a virus that reaches every place in a sick body.
I turned my home into a water bed and her breasts into dark sand castles.
She gave me her metaphors, her bottles of gin and her North Africa stamp collection.
At night we would talk in dreams, back to back and we would always, always, agree.
The sheets were so much like our skin that we stopped going to work.
Love became a strong big man with us, terribly handy, a proper liar, with big eyes and red lips.
She made me feel brand new.
I watch her get fucked up, lose touch, we listened to Nick Drake in her tape recorder and she told me she was a writer.
I read her book in two and a half hours and cried all the way through as watching Bambi.
She told me that when I think she has loved me all she could, she was gonna love me a little bit more.
My ego and her cynicism got on really well and we would say "what would you do in case I died" or "what if I had Aids ?" or "don't you like the Smiths" or "let's shag now".
We left our fingerprints all around my room, breakfast was automatically made, and if it would come to bed in a trolley, no hands.
We did compete to see who would have the best orgasms, the nicer visions, the biggest hangovers.
And if she came pregnant we decided it would be God hand's fault.
The world was our oyster.
Life was life.
But then she had to go back to London, to see her boyfriend and her family and her best friends and her pet called "Gus".
And without her I've been a mess.
I've painted my nails black and got my hair cut.
I open my pictures collection and our past can be limitless and I know the process is to slice each section of my story thinner and thinner until I'm left only with her.
I've felt like shite all the time no matter who I kiss or how charming I try to be with my new birds.
This is the point, isn't it ?
New birds that will project me along a wire from the underground into the air, into the world.

12 October 2009

Queria reprimir esses pensamentos repetidos de desistir de tudo, já que nada dá certo, nunca, não para mim.
Minha felicidade sempre foi baseada em mentiras bonitas, minha paz sempre foi fundada apenas no oposto do sofrimento, no amortecimento, num estado de anestesia entre as turbulências.
Não quero mais tentar nada, nem quero mais alcançar. Queria me deitar confortavelmente e esquecer, dormir. Não quero mais ter que fazer nada e fracassar de novo, e de novo. Quantas vezes a gente pode desmoronar e se refazer? Quanto a gente sobrevive ao inóspito e à rejeição, a traição?
Não quero mais.

09 October 2009

Meu maior medo é quando todo esse rancor e toda a raiva passar.
Porque daí não vai ter mais nada. Nada.

04 October 2009

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

- Você não entende. Não é que ainda tenha restado algo do que era ruim, não que eu já não tenha superado, esquecido, perdoado. Eu apenas não quero mais.
- Isso é novo. Eu não sou mais o mesmo, você também não. Você não sabe o que é.
- Não sei. Mas sinto que não quero saber dessa maneira. Lembra quando tudo aconteceu?
- Lembro.
- Eu só queria destruir tudo ao meu redor, e hoje, agora, eu quero novamente destruir. Só que não tenho mais nenhuma esperança que as coisas um dia vão dar certo, ou melhorar.
- Isso não é verdade.
- Para mim é.
- Deixa eu te ajudar como você um dia me ajudou?
- Se você quer tanto, me dê em doses homeopáticas. Eu jamais aceitaria outro tratamento de choque. Talvez eletrochoque, apenas. Li numa dessas revistas científicas que apaga a memória. Daria minha vida por uma memória nova.
- Eu te fiz isso?
- Eu me fiz isso.
Quero ir embora de novo.

25 September 2009

Obsession by Charles Baudelaire

Forest, I fear you! In my ruined heart
your roaring wakens the same agony
as in cathedrals when the organ moans
and from the depths I hear that I am damned.

Ocean, I hate you! for I recognize
the sobs and insults of my own despair
the bitter laughter of a beaten man
repeated in the sea's huge gaity.

Night! you'd please me more without these stars
which speak a language I know all to well -
I long for darkness, silence, nothing there....

Yet even shadows have their shapes which live
where I imagine them to be, the hordes
of vanished souls whose eyes acknowledge mine.

21 September 2009

Pensei que tinha acabado, esgotado, passado do tempo, vencido o prazo de validade.
Mas não.
Não importa, se sou eu ou você, não importa.
Continuam os ecos e continuam os 'se'.
Não importa a cama, ou os livros, ou as músicas, ou o lugar.
Continua e parece que nada muda.
Nem a espera, nem o frio, nem as mãos esticadas para um céu vazio.
Continua até onde tiver que continuar.

E eu queria tanto que acabasse de um vez.

28 August 2009

Ando pensando tantas coisas - se o caderninho do meu criado-mudo falasse ele não ficaria quieto.
Delusion angel
by David Jewel

Daydream, delusion, limousine, eyelash
Oh baby with your pretty face
Drop a tear in my wineglass
Look at those big eyes
See what you mean to me
Sweet-cakes and milkshakes
I'm delusion angel
I'm fantasy parade
I want you to know what I think
Don't want you to guess anymore
You have no idea where I came from
We have no idea where we're going
Latched in life
Like branches in a river
Flowing downstream
Caught in the current
I'll carry you
You'll carry me
That's how it could be
Don't you know me?
Don't you know me by now?

07 August 2009

We are always late, never in time

Poderia te explicar por que tanta coisa, sendo você THE ONE.
Sempre foi, desde aquele dia.

Mas não vou, é desnecessário.

04 August 2009

Estava pensando na sua pergunta: se talvez teria dado certo.
E penso que sim, talvez teria dado certo, por um motivo simples: A gente se completaria no que falta um ao outro.

Sou muito corajosa no ponto que lhe falta, de se entregar sem medo, de ser incondicional, de ter tanto a oferecer, de não ter medo do talvez, de acreditar no outro. E você é no que me falta, na coragem de mudar, de se jogar no desconhecido, no mundo, onde eu tenho medo exatamente pela falta do outro, que não costumo temer. Talvez teria dado certo porque seriamos o que o outro precisa, no momento mais necessário.

É apenas uma teoria. Mas achei perfeita quando pensei. Foi um belo insight.

Não sei o que me levou a ficar presa a isso tudo por tanto tempo, mas ainda hoje, agora, em face a impossibilidade, ainda me sinto presa, necessitando de pontos finais e de um adeus que nunca quis dar. Faço um esforço enorme para não pensar nisso, para não sucumbir. Até porque seria impossível.

Não que eu não deseje o impossível, mas sinto a inevitabilidade, o nunca mais que sempre temi, o frêmito do que poderia, ainda mais que hoje eu achei que poderia ter dado certo pelos motivos mais simples, nossos defeitos se completando.

Estou tentando ao máximo deixar minha dramatização para trás, no passado, mas tem horas que não consigo. É por demais intrínseco a mim. Quando penso nos 'se' e nos 'quase' sinto falta de tudo que não pude viver, e nem dividir. De não poder ficar ao seu lado e dormir, de não poder decorar seus traços com as pontas dos meus dedos, de não rir de algo bobo, ou de nunca te sentado na grama, olhando a lua e deitar minha cabeça no seu peito. Das coisas pequenas, dos atos do cotidianos e inesperados. De nunca ter conseguido me despedir, de poder dar o adeus que neguei.

"A pele é de uma doçura suntuosa. O corpo. O corpo é magro, sem forças, sem músculos, podia ser o corpo de um doente, de um convalescente, ele é imberbe, sua única virilidade é a do sexo, é muito fraco, parece estar à mercê de um insulto, parece sofrer. Ela não olha para o rosto. Não olha. Só o toca. Toca a doçura do sexo, da pele, acaricia a cor dourada, a novidade desconhecida. Ele geme, chora. Dominado por um amor abominável."

03 August 2009

Estava lendo Marguerite Duras, O Amante.
Gosto tanto desse livro. Ainda não sei porque, mas me faz pensar em várias coisas, na inércia, no topor. Me sinto dormente lendo, leve, irreal.
Gosto.

E me faz imaginar como seria. Penso nisso o tempo todo, há muito tempo. Odeio não ter controle sobre o que penso. Queria ter a determinação, a disciplina de não pensar em certas coisas, ainda mais quando elas são apenas devaneios e ecos. Quando não se pode mais fazer nada sobre isso, e alimentar esses pensamentos é apenas doloroso.

Quando leio o trecho que fala do apartamento em Cholen, eu imagino que talvez fosse daquela maneira. Tão doce que dói. Tão fatídico que haverá lágrimas apesar de tudo.

02 August 2009

Pergunte ao Pó

Pergunte ao Pó, do John Fante é um dos meus livros prediletos, mas a tradução do Paulo Leminski que fique claro. Essa última edição que saiu é uma merda. Acabou com todo ritmo e lirismo. Não é a mesma coisa. Não dá pra sentir as nuances de urgência e miséria absoluta. O pó do deserto soterrando tudo aos poucos...
Tem esse prólogo que não foi lançado aqui no Brasil, mas que é tão bonito...


Prologo de "PERGUNTE AO PÓ"
John Fante


Pergunte ao pó na estrada! Pergunte às árvores solitárias onde o Mojave começa. Pergunte a elas sobre Camilla Lopez, e elas sussurrarão seu nome. Sim, pois o último a ver minha garota Camilla Lopez foi um tuberculoso vivendo à beira do Mojave, e ela se dirigia ao Leste com um cachorro que dei a ela, e o cachorro chamava-se Pancho, e nunca ninguém viu Pancho de novo também. Você não acreditará nisso. Você não acreditará que uma garota se aventuraria no deserto do Mojave em Outubro sem nenhuma companhia exceto um cachorrinho policial chamado Pancho, mas aconteceu. Eu vi as pegadas do cachorro na areia, e vi as pegadas de Camilla ao lado das do cachorro, e ela nunca voltou para Los Angeles, sua mãe nunca a viu de novo e a não ser que um milagre tenha acontecido, ela está morta lá no Mojave hoje, e Pancho também. Não preciso criar um enredo para isso, meu segundo livro. Aconteceu comigo. Eu estava apaixonado por ela e ela me odiava e essa é a minha história.

Pergunte ao pó na estrada. Pergunte ao velho Junipero Serra no Plaza, sua estátua está lá, assim como as faixas na frente dele onde acendi fósforos, fumei cigarros e assisti a humanidade passar, eu, John Fante e Arturo Bandini, dois em um, amigo dos homens e bichos. Aqueles foram os dias! Eu vagava pelas ruas e as sugava e às pessoas nelas como um homem de mata-borrão. Arturo Bandini, com um conto vendido, grande escritor sonhando grandes planos. Ainda posso ver aquele cara, aquele Bandini, com uma revista de capa verde debaixo do braço, perpetuamente debaixo de seu braço, andando por essa cidade com uma tolerância gentil com homens e bichos, um filósofo, ele era, dos jovens, a história de um escritor que se apaixonou por uma garota de um bar e foi mandado embora.

Mas olha, deixa eu tentar contar a minha história. Me apaixonei por uma garota chamada Camilla Lopez. Entrei em um café em uma noite, e lá estava ela, e para sempre, até agora, esta noite, quando escrevo, engasgo quando penso na beleza daquela garota. Ela estava lá, ao meu lado, era uma garçonete em um boteco, me trouxe café e achei o café vagabundo e nós conversamos. Então voltei de novo e de novo, e logo estava tão loucamente apaixonado que me comportava como um bobo, e o tempo todo ela amava outro, ela amava um bartender no Liberty Buffet onde trabalhava, e o bartender não a suportava. Então ela saiu comigo para esquecê-lo, foi a todos os lugares comigo, e eu era maluco por ela, e piorei, e ela piorou pelo bartender. Começou a fumar maconha. Me ensinou a fumar. Pirou. Foi para um hospital psiquiátrico. Ficou lá por um mês. Saiu e eu a vi de novo. Ainda era apaixonada por Sammy, o Bartender. Ele não a tolerava. Ele não a tolerava porque ela era uma simples mexicana e ele era americano e ela estava abaixo dele, e essa é a história - isso é o tema de Ramona, mas dessa vez é um ítalo-americano contando, e ele, Bandini, é compreensivo com a garota, porque sabe como é esse negócio de preconceito social, e ele a ama loucamente e ela não o entende. Ele é um escritor. Ele está sozinho em Los Angeles. Ele escreve sonetos para essa garota. Ela lê os sonetos e joga-os na rua. Pergunte ao pó na rua, pergunte à serragem do Liberty Café, pergunte a maldita serragem suja naquele lugar e ela dirá que recebeu pedacinhos de papel e eles eram meus sonetos, porque ela não queria saber de mim, eu apenas a distraía, ela era louca pelo americano Sammy.

Você não acha que eu tenho uma novela? Ouça, droga, conheci Camilla e na primeira noite que estivemos na praia e nadamos nus, e ela nadou para longe, para além da rebentação na Baía de Santa Mônica, nós dirigimos até lá no carro dela, e nadamos, lá debaixo do luar, garota linda, Camilla linda, oh como eu amava aquela garota, e inferno, com que mão imunda ela me tratou, ela pensava que eu era um lunático, que dizia coisas engraçadas, ela nadou para longe, longe demais para uma garota normal, e naquele oceano gelado às duas da manhã, e quando a vi sob o luar, naquela primeira noite, tive um palpite de que ela era o tipo de garota que sucumbia sob pressão social, havia algo sensível e belo sobre hoje e sempre, garota maravilhosa, cabelos negros, pele creme, nadando ao luar, me desafiando a nadar até onde estava, e eu não fui, nadei um pouco e cansei e então ela veio e nos enrolamos em um cobertor na praia e fomos dormir - um casal de garotos nus, mas senti, deitando ao seu lado naquela hora - aquele sentimento de que jamais possuiria aquela garota, senti que de alguma forma ela era veneno e que jamais aconteceria, senti paixão sem desejo, senti sua estranheza, senti em mim com a certeza do peito de minha mãe, essa coisa devorando uma linda garota mexicana que pertencia àquela terra, sob aquele céu, e não era bem vinda. E eu, o compreensivo, o amante de homens e bichos, pergunte àquela areia ao longo da Baía de Santa Mônica se o grande Arturo Bandini foi tão grande amante naquela noite, não não não, porque sentia pena dela como um homem com pena de sua garotinha e não era paixão que sentia mas apenas desejo, e foi só o que houve. Então às cinco da manhã, com o sol subindo ao Leste, dirigimos até Wilshire e ela estava tão satisfeita por eu não tê-la tocado, estava dirigindo o carro, e disse uma coisa estranha e significativa, lembro das palavras exatas, disse, "Essa foi uma noite tão linda. Nunca acontecerá de novo." Mas lá estava eu sempre com a suspeita de ter agido como um bobo, não apenas naquela noite mas em todas as noites em que estive com ela, quando visitamos muitos lugares estranhos e fascinantes nessa grande cidade. Falo de Hollywood com seu blábláblá glamuroso inútil? Dos filmes? Falo de Bel Air e Lakeside? De Pasadena e seus picos quentes? - não e não mil vezes. Digo que este livro é sobre uma garota e um garoto em uma civilização diferente: isso é sobre Main Street e Spring Street e Bunker Hill, sobre essa cidade não longe de Figueroa, e ninguém famoso está neste livro e nada notório ou famoso será mencionado porque nada disso pertence a esse livro, ou estará por aqui muito mais tempo. Isso é Ramona ao contrário. É bom. É eu.

Então chamo ao meu livro "Pergunte ao Pó" por causa do pó do Leste e do Meio-Oeste nessas ruas, e é um pó onde nada crescerá, uma cultura sem raízes, uma miserável busca desesperada por entrinchamento, a fúria vazia de pessoas perdidas e desesperançadas, sedentas por alcançar uma terra que jamais pertencerá a elas. E uma garota desgarrada que pensava que os desesperados é que eram felizes, e que tentou ser um deles.

Arturo Bandini, eu, grande escritor, com um conto vendido para o American Mercury, a história sempre no meu bolso para provar meu sucesso enquanto eu andava pela Opera House e via os riquinhos entrando, às vezes escorregando da multidão para acidentalmente tocar um xale, só um cara passando, desculpe, moça, e pelas longas horas da noite eu pensava nela, imaginando quem seria - talvez até a heroína da minha grande novela, falando com ela enquanto as luzes do Hotel St. Paul piscavam vermelhas e verdes e jogavam cores em minha cama.

Aqueles foram os dias. Pergunte ao pó na estrada, pergunte às teias de aranha em meu quarto no St. Paul, aos ratos pelos cantos do quarto, ah, ratos tão amigáveis, eles eram meus bichos de estimação, porque eu falava com aqueles ratos. "Olá, rato, como está você esta noite, onde estão seus amigos?" Claro, um amigo dos homens e dos bichos, alimentando os ratos para torná-los meus amigos, um grande homem, uma alma generosa, leitor de Thoreau e Emerson, um grande futuro escritor que tinha de ser tolerante, espalhando migalhas para meus ratos comerem à noite com as luzes do St. Paul ligando e desligando e eu deitado olhando-os ir e vir, até que teve que acabar, eles se apegaram demais, eles subiam em minha cama e sentavam aos pés, nós éramos grandes amigos, mas droga eles se multiplicavam como chineses e o quarto era muito pequeno.

Falo como um lunático? Então me dê a demência, me dê aqueles dias de novo. Me dê uma novela excêntrica daquele que sentia pena da humanidade, grande pessoa Bandini, realizador de êxitos significativos, o dó de tudo, a cidade absurda à minha volta, sortuda madrasta do meu talento, e acima de Angel's Flight, duzentas escadas acima de Bunker Hill no meio da cidade, degraus consagrados, senhor, Bandini os escalou à imortalidade! Um dia, vocês pessoas, seus grunhidores-de-ãrrã, esses degraus badalarão com minha memória, e além daquela noite naquele muro alto haverá uma placa de ouro, e sobre ela um busto - a imagem do meu rosto. Estou sozinho agora? Pfff! Minha solidão traz frutos, e haverá uma Los Angeles de amanhã para lembrar que uma voz escalou esses degraus, e Benny, o Mecânico na esquina da Terceira com a Hill chorará de alegria enquanto conta a seus netos que um dia falou com um homem das eras. Daí para meu quarto, para conversar comigo mesmo no espelho. Ou talvez para praticar um pouco para meus dias de fama, para arrumar o espelho em um ângulo, para ver como fico sentado à minha máquina de escrever, o grande em pleno trabalho, respondendo perguntas para a imprensa, piscando pacientemente enquanto os flashes explodem. "Cavalheiros, cavalheiros! Por favor! Meus olhos, cavalheiros - afinal, eu também tenho meu trabalho, vocês sabem." Gargalhadas dos cavalheiros da imprensa. "Jesus, aquele Bandini, um bom sujeito, a fama não subiu à sua cabeça. Igual a qualquer um de nós, caras normais de jornal-realmente um bom sujeito."

Pergunte aos corredores empoeirados, pergunte ao saguão empoeirado, pergunte às pessoas empoeiradas no saguão empoeirado do St. Paul, as empoeiradas pessoas cansadas e velhas e prestes a se tornarem pó, aqui para morrer, os velhos caras, o pó de Indiana e Ohio e Illinois e Iowa em seu sangue, para empoeirar e morrer em uma terra desenraizada e empoeirada. Seis anos atrás e tantos já são pó, mas há alguns que lembrarão do grande escritor, nenhum pó em sua boca, na, na, nenhum pó em sua boca, grande mentiroso escritor falando sobre grandes histórias no Saturday Evening Post e provando com um conto em uma revista verde. Grande escritor, freqüentador de sebos empoeirados, levantando revistas empoeiradas e soprando o pó de sua amada história, comprando-as todas para que não se tornassem pó. Sim, pergunte ao pó na estrada.

Ho hi ho, grande escritor escrevendo cartas para a mamãe, grande escritor achando difícil, mas olha, mamãe, tenho uma história saindo no Atlantic, no pacífico, então mande cinco dólares, mamãe, mande cinco dólares. Então com cinco dólares, com dez dólares, grande escritor com a revista verde em uma espelunca falando com loira empoeirada, falando para a grande loira sobre dias melhores. Ela leu "Carissima Mia", de Arturo Bandini? Não, então que pena. Ela leu "Mea Culpa", de Arturo Bandini? Sim, ela leu. Estranho. Porque nunca foi escrito. Mas cinco dólares e dez dólares, lá do pó do Colorado, para ajudar o garoto da mamãe - mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

Um livro falando de gente, empoeirada gente selvagem. A verdadeira Los Angeles, Bunker Hill, aquela parte da cidade abaixo de Figueroa, e Arturo Bandini sonhando com dias melhores. As pessoas que cruzaram seu caminho: Marcus, o vendedor de vinho, que me deu um emprego como lavador de pratos porque achava que eu escrevia séries para o SatEvePost. Senhora Adolph Lang com seus gordos peitos rosados que me ofereceu pois era a mãe de Deus e eu deveria repartir o leite da vida. Dave Myers, o comunista na esquina da Terceira com a Hill e sua perna aleijada de onde vendia maconha. As senhoras que eram Escolhidas de Deus e tinham que fazer sacrifícios com Sangue do Cordeiro, mas elas não tinham cordeiro, então mataram um belo gato siamês. O Crioulo gordo que levou Camilla e eu pelo negro e sinistro caminho para a Avenida Central e por umas escadas raquíticas para um quarto em um hotel abandonado onde homens e mulheres jaziam como mortos, e o Crioulo gordo jogando-os para fora das camas, abrindo os colchões e nos vendendo maconha das fendas nele. Mais tarde, em meu próprio quarto, fumamos a maconha. Um cigarro, nenhum efeito. Dois. O quarto turva. O corpo de Arturo flutua. Ele está acima do chão, uma polegada, duas. Para o alto e para o alto e oh, mundo absurdo, Camilla absurda, e Arturo riu e riu, mas Camilla não, sua boca amaciando, saliva branca como fios de seda grudados em sua boca lasciva, abrindo suavemente para dizer seu nome, Arturo, Arturo. Sim e amém. Coisa grande. Jesus, que novela! As duas lésbicas tocando piano no Embassy, tocando valsas de Strauss para Camilla enquanto Arturo fica puto e cospe cerveja no piano e no cabelo da violinista. Os pintores bêbados do estúdio acima, os pintores desesperançados, escola de S. McDonald Wright, o último vestígio de um movimento de pintura para unir o Leste e o Oeste. As centenas de clubes vagabundos na Quinta Avenida, cravejados de belas mulheres, garotas escrevendo para casa em Iowa e Indiana, contando que estavam acontecendo, acontecendo na cidade grande, pfff, elas não estavam acontecendo, estavam fodendo tudo e todos, filipinos e japas e crioulos em um lugar abundante em beleza excessiva. Ah, aqueles clubes, onde aprendi a vagar e perder tempo, às vezes com dinheiro de outro conto vendido, às vezes falido, freqüentemente pegando dinheiro emprestado das garotas.

A pobre caixa da igreja do velho Plaza, de onde roubei 60 centavos porque eu era pobre, não era? A pista de dança filipina onde os tiras davam batidas atrás de drogas, os tiras correndo, as luzes apagando, os tiras gritando e lutando loucamente na escuridão, e os filipinozinhos calmos escondidos nos cantos escuros, sacando suas lâminas com a rapidez de balas de metralhadora nas pontas de seus dedos e esfarrapando os rostos dos tiras.

Os fantásticos e os estranhos e os bonitos: um dia uma mulher bela demais para este mundo veio e em asas de perfume, não pude suportar, não pude me segurar e a segui, quem ela era eu nunca soube, mulher em uma pele de raposa vermelha e um chapeuzinho atrevido, andando atrás dela porque era melhor do que um sonho, vendo-a entrar no Bernstein¿s Fish Grotto, observando-a em transe pela janela a nadar com rãs e trutas enquanto comia e quando acabou o garoto entra no Grotto, senta-se na mesma cadeira em que ela sentou, toca o guardanapo que ela usou, porque ela era tão linda e - apenas uma tigela de sopa, garçom, não estou com muita fome, apenas uma tigela de sopa por quinze centavos. Amor em um instante, uma heroína de graça e por nada, para ser lembrada através da janela entre trutas e rãs.

A Fome de Hamsun, mas esta é uma fome de viver em uma terra de pó, fome de ver e fazer. Sim, A Fome de Hamsun. Clarence Melville, o veterano de guerra hispano-americano bêbado, morava ali na frente. Ele tinha um quarto mais barato, sem serviços. Ele também estava cansado de laranjas. Ele tinha um carro. Entramos nele uma noite. Ele sabia onde conseguir carne. Dirigimos até San Fernando. Estacionamos o carro. Rastejamos por baixo do arame farpado até o pasto. Andamos na ponta dos pés até o celeiro. Lá estava o bezerro. Clarence bateu-lhe na cabeça com uma marreta. Arrastamos a coisa ensangüentada até o carro e voltamos para Los Angeles. Arrastamos de volta para seu quarto. Deus, que noite aquela! O bezerro não morria, não importava o quão forte batíamos. Então o sangue no chão, no tapete, nas paredes, na banheira. Não comi nada daquilo. Sangue no saguão, e a polícia veio. Encontraram Clarence em seu quarto, carneando o bezerro. Ele pegou sessenta dias, e o tempo em que esteve em julgamento e preso, fiquei em meu quarto, passei boa parte do tempo rezando, não para Hamsun ou Heine, mas para Nosso Senhor Jesus Cristo. Salve-me, Senhor, sou inocente.

Pergunte a Camilla Lopez. Pergunte a ela. Conte a ele, Camilla. Conte a esse editor cabeça dura sobre nós. "Bom, olha só, meu nome é Camilla e Arturo me amava, e eu o achava tão bobo, ele me escrevia sonetos e eles não faziam sentido. Mostrei-os aos advogados bêbados no Liberty Buffet, e eles riram, então você vê que ele era bobo porque até os advogados riram. Uma vez eu falei, disse, Arturo, quero ser esperta como você. Então ele me comprou uma cartilha, isso foi logo que nos conhecemos, ele comprou uma cartilha e me disse para aprender cinco palavras por dia, e eu aprendi - no primeiro dia - mas ele não era como Sammy, o Bartender. Oh aquele Sammy! Que olhos tinha aquele Sammy, e ele era um homem, não um escritor bobo, não um maricas, e eu amava aquele Sammy, e ele me odiava, oh Deus ele me odiava. Porque eu era mexicana, ele me chamava de 'mexicanazinha', ele me chamava de 'sebosa', ele me magoava tanto. Mas ele! Esse Arturo, ele me disse para ter orgulho de ser mexicana, e até disse que os dóceis herdarão o mundo, Jesus, eu não queria o mundo, eu só queria o Sammy e joguei a cartilha na cara dele, porque gosto que homem seja homem, não gosto de homem que é só palavras, palavras, palavras, era tudo que ele era, esse Arturo, pergunte à cama onde dormimos, cinco vezes lhe dei sua chance, mas ele nunca me tocou e eu balancei meu cabelo e ri e disse, Arturo, você não é homem, tem algo errado com você, porque você não é homem. Mas eu nem queria ele mesmo, nem liguei, eu queria esquecer Sammy, e tinha Arturo na cama e ele estava chorando, dizendo que não sabia mas que não conseguia, ele me amava tanto, ele me amava tanto. Eu ia para seu quarto no St. Paul Hotel, jogava pedrinhas na sua janela, e ele me puxava pra dentro, e eu ficava, porque sabia que ele não me tocaria, então eu o odiava porque ele ficava falando que eu deveria ter orgulho de ser mexicana, daí eu o desafiei a me tocar, levantei meu vestido e joguei em sua cara e ele sabia tanto e era tão esperto com as palavras, ele corou e disse por favor, não faça essas coisas, Camilla. E quando fomos na galeria de tiro na Main e atiramos em pombos de argila, quantos eu derrubei? Todos! Todinhos. E ele? Ele errou todos! Não acertou em um - mas Sammy não era assim, Sammy também derrubava todos. Nós passeávamos de noite, Arturo e eu. Passeando pela Terminal Island, por San Pedro, e eu gostava de umas coisas malucas, como montar em um caminhão de óleo, mas o Arturo subia? Não ele não subia, não ele dizia que era absurdo, era assim que ele dizia, mas o caminhoneiro não achava, não, o caminhoneiro riu, e eu deixei o Arturo lá e voltei com o caminhoneiro. Então ele aparecia no Liberty depois daquilo, choramingando pra me ver e me dando um poema mas ele me deixava tão furiosa porque ele não era como Sammy, mesmo que Sammy me batesse, mesmo que Sammy me chamasse de mexicanazinha. Mas às vezes ele era fofo, às vezes ele me dava flores, me deu uma flor de cada vez e dizia que eram camélias, como meu nome, então eu acho que aprendi algo com ele afinal de contas, porque não sabia que aquelas florzinhas brancas e cor-de-rosa tinham o mesmo nome que o meu. Mas eu nem ligava muito, elas não tinham metade do cheiro bom das gardênias."

E eu, Bandini, destruído e rastejando no pó, para morrer logo. Então escreva uma carta de suicídio, Bandini, escreva uma das boas - uma das longas para Camilla. E assim foi feito, uma longa carta de suicídio escrita com um coração partido, as lágrimas caindo entre as teclas através da longa noite em que escreveu, então ele dormiu em sua cadeira e rastejou até a cama, cansado demais para cometer suicídio. E de manhã, no café, leu sua carta de suicídio e rapaz, era doce! Oh rapaz tudo que ele precisava era um título e achou e despachou pelo correio e em alguns dias havia um cheque e um bilhete do editor da revista verde: "Caro Bandini - esse é um dos melhores textos que já lemos. Estamos contentes em tê-lo e esperamos que nos mande mais. O cheque está em anexo."

Bandini, grande humorista, correndo Angel's Flight abaixo para mostrar a história para Camilla: olha, é maravilhosa, muito engraçada. Uma nova face do meu talento: sou um humorista! E ela leu e riu, e ele morreu a morte que esqueceu de morrer naquele noite, pois esperava que ela visse a tragédia, mas não, até ela achava engraçado.

Pó em minha boca, pó em minha alma, tão longe dos empoeirados para o mar verdinho, com uma garota de vestido verde para Long Beach para um quartinho em Long Beach olhando o mar, e a noite toda uma garrafa de gim e a garota vestida de verde, chamando-a de Camilla por engano, até que ela gritasse; "Pára de me chamar de Camilla! Meu nome é Doris, não Camilla." Dormindo com a de verde, fingindo ser Camilla, aquela noite inteira e o dia inteiro perto do mar - 200 por outra história e terei minha Camilla do meu jeito, porque eu te fiz Camilla do meu jeito. Aquele dia inteiro e no fim da tarde uma paralisia de morte sobre a terra, um silêncio sussurrado de pó enfurecido e de repente o quarto está oscilando, a casa está desmoronando, as paredes rugem, o pó sobe, as mulheres gritam por todos os lados e quando chegamos à rua nenhum pássaro voa, não há crepúsculo naquela tarde de março, apenas pó do terremoto e no pó e nas ruínas os mortos espalhados e eu entrei em pânico, a terra convulsionando de ódio pelos meus pecados, porque a terra me odiava e a todos nós, os mortos debaixo de lençóis ensangüentados nos gramados, os pássaros sumidos, e pó sobre a terra. Então correndo para Los Angeles, esperando que ela esteja morta, esperando que Camilla esteja entre aqueles que voltaram ao pó.

Mas um grande homem deve perdoar, então o grande homem sentou em seu quarto e ponderou sobre a alma atormentada de seu amor e condenou-se por sua vergonha - ela não era mais culpada que qualquer boa garota americana seria por gritar sua aversão pela vulgaridade e brutalidade da lower Main Street. Uma carta de desculpas era necessária, a ser escrita com palavras bem escolhidas e em pena e tinta sobre papel branco e simples, assinado com todos os floreios de uma assinatura cuidadosamente praticada. Antes tarde do que nunca, uma carta cuidadosa não admitindo seu grande amor e terminando com "cordialmente".

Mais algumas noites e de novo o barulho das pedrinhas na minha janela e ela estava lá embaixo sorrindo, ela perdoou e esqueceu e para provar sua generosidade, dormiu comigo enquanto eu revirava e estremecia de desejo sem paixão.

Então os dias trouxeram a mudança de Camilla, a perda de suas carnes, os olhos enevoados, a lassidão, as mentiras, mentiras, mentiras. A noite em que apareceu com um olho roxo: um acidente de carro, ela disse. Então Sammy pegou tuberculose e teve que ir para o deserto e ela o seguiu até lá e ele a repeliu, disse para que ficasse longe dele, que queria ficar sozinho e morrer sozinho na cabana que construíra à beira do deserto.

Sammy, meu inimigo, ele também tornou-se escritor e ela trouxe suas débeis histórias estúpidas para mim, ¿porque você é esperto, Arturo, você pode ajudar Sammy a virar um escritor.¿ E eu li e ri da diversão que teria destruindo-as em pedacinhos e foi o que fiz: três histórias que ele mandou e frase por frase eu as destruí em pedacinhos, disse que ele deveria ter continuado sendo bartender, mas um grande homem deve ser amigo dos homens e animais, então rasguei as cartas e as reescrevi, fazendo meu melhor, dando o que achei que seriam conselhos, e ele começou a me escrever do deserto, aquele Sammy estúpido, mas no fundo ele era um cara legal, um insignificante de sangue frio, sempre referindo-se a ela como ¿a mexicanazinha¿, contando que ela era uma bela trepada e que seria minha se a tratasse direito. ¿Trate-a mal, Bandini, trate-a como se fosse sujeira debaixo de seus pés, como o pó na estrada, chute-a e ela se enroscará em volta do seu pau e morrerá lá.¿ E esse era o cara que Camilla amava - esse era meu rival.

Então porque não? Segui o conselho de Sammy. Ela veio uma noite e Bandini estava esperando. ¿Olá, sua imbecil, de qual beco você veio dessa vez?¿ Seus olhos se arregalaram, seus lábios sorriram e ela ficou estranhamente quieta enquanto Bandini continuava: Estou ocupado aqui; se você veio para tomar meu tempo, cai fora. E funcionou! Então entendi que ela não queria ser tratada como uma rainha, como um amor de verdade, como o sonho de Cabell de mulher perfeita. Ela estava acostumada com rudeza e tinha medo de admiração. E isso me enojou, me deixou doente, e eu a expulsei, levei-a até a porta pelo braço e disse para que fosse embora e nunca voltasse. Ela foi embora delirando de desejo, pronta para cair no pó sob meus pés. Deus, que lamentável Bandini naquela noite, sua rainha preferindo ser uma escrava.

Então a noite em que fumamos maconha. No chão, pés, fiquem no chão, meus pés, mas eles flutuaram e eu estava a um palmo do chão, dois palmos e não conseguia descer e ela era tão absurda, seu corpo era tão fantástico, sua beleza era algo para se rir - e essa foi a noite de paixão sem desejo e uma sedução de Baudelaire e DeQuincey. Mas acabou tudo para nós, ela foi embora e eu deitei na cama e meu corpo não descia, mas à medida que o efeito passava, minha cabeça doía um pouco e senti algo que não sentia desde a infância, a necessidade de confissão, de castigo, de punição, porque eu tinha estragado um sonho e quebrado uma lei de Deus e dos homens. Ainda meus pés flutuavam, ainda aquele sentimento de estar fora da terra, ansiando retornar, e peguei um jarro de água, quebrei no chão e caminhei sobre os estilhaços de vidro até que o êxtase do castigo desbotasse e fraquejasse e que eu parasse antes de tombar. Essa foi a noite em que manquei até uma igrejinha católica na quadra mexicana e passei longas horas sentado em silêncio, tentando reorganizar minha vida, fazendo planos e promessas de ser um homem melhor. Sempre um homem melhor, essa era a idéia com Arturo Bandini, ser um grande homem, acima do pó da estrada, amante dos homens e dos bichos. Não mais pecar.

Os dias passaram e eu trabalhei duro e como sempre acontece comigo, quando trabalho duro há sucesso. Chega de Camilla, fiquei longe e ela não voltou para jogar pedrinhas na minha janela. Três meses se passaram e a sorte e o trabalho uniram-se subitamente para mudar o curso das coisas e uma peça que escrevi foi comprada pelo cinema e eu ganhei quase $10,000.

Então o grande homem compra novos ternos e perfuma-se e em um luxuoso coche volta à cena de suas batalhas anteriores, para conversar naturalmente com Benny, o Mecânico e dar-lhe cinco dólares para seus filhos. "Lembranças a sua esposa, Benny. Diga que lembro bem dela." Visitar Marcus, insistindo que devo-lhe 10 pratas, ele insistindo que não, forçando-o a aceitar, repreendendo-o por sua memória ruim, contente em pagar 10 dólares por tal triunfo, um homem honesto, um grande homem, acertando velhas contas.

Então a última parada. Mas ela não está lá, outra garota está em seu lugar e o mundo está subitamente solitário e o sucesso de Bandini é vazio e incompleto. Mas ela tem que saber. Se ELA não souber, então não aconteceu. Mas todos estão taciturnos e ninguém sabe o que aconteceu a ela. Um suborno para a nova garçonete e consegui seu endereço. Eu vou até lá, conheço sua mãe - uma mulher como a minha mãe, doce mulher de coração partido vivendo em um barraco na quadra mexicana, mulher de rosto trágico dizendo-me que Camilla foi levada para Patton, o hospício. Choramos por isso e vou embora para Patton, mas eles não me deixam vê-la. Um mês depois ela é solta e vejo uma garota fantasma, terror em seus olhos e a solidão machucando. Queria uma coisa de mim - será que eu compraria um cachorro pra ela? E assim foi feito. Nós o chamamos Pancho e ela estava feliz com ele e nada mais, dormindo com ele, falando com ele, garota fantasma cuja fantasmice era uma doença e com o passar dos dias Pancho também virou um fantasma, um cão estranho com o olhar faminto e solitário como o de sua dona. Sempre ela chorava, sentávamos embaixo de um eucalipto em seu jardim e as lágrimas incontáveis caíam, Pancho uivava e seus olhos também pungiam, e eu soube que ela ainda amava Sammy. Então um dia chegou uma carta dele do deserto, queria que eu fosse lá e a pegasse e seu maldito cachorro, ela rodeava sua cabana como um mendigo pedindo migalhas de amor, ele não a suportava, que eu fosse lá buscá-la. Dirigi 100 milhas até lá. Ela se foi. Seu ford amarelo detonado, os pneus murchos, estava estacionado na estrada poeirenta em uma floresta. Onde estava ela? Sammy não sabia. Ele a mandara embora, jogara pedras no cachorro, ele estava cheio dela e não queria nem saber. E é isso, ninguém sabe. Seu carro ainda está lá, desnudado de pneus, tudo removível foi roubado. Ela se foi, engolida pelo deserto. Talvez alguém tenha a recolhido e levado de volta para o México. Talvez ela tenha voltado para Los Angeles e morrido em um quarto empoeirado. Tudo que sei é que ela se foi, o cachorro se foi, e não sobrou nada além da sua história que eu quero contar.

Tradução: Clarah Averbuck

29 July 2009

People keep telling me that I fall in love too easily- that I should protect my heart, that I shouldn’t wear my heart on my sleeve… I fall in love at least 20 times a day. I fall in love with the sky and the sun and the flowers and my children. I fall in love with smiles, with music on the radio and with french fries and Dr. Pepper. I fall in love with the sound of laughter, blue jeans, accents… Sometimes I fall in love with complete strangers, especially the ones holding hands and kissing in public. The ones who aren’t afraid to be in love with the idea of being in love either. I don’t mind the pain of unrequited love so much, because I think they’re wrong. Love looks good on me.

O Ventre Seco,

por Raduan Nassar.

Começo te dizendo que não tenho nada contra manipular, assim como não tenho nada contra ser manipulado; ser instrumento da vontade de terceiros é condição da existência, ninguém escapa a isso, e acho que as coisas, quando se passam desse jeito, se passam como não poderiam deixar de passar (a falta de recato não é minha, é da vida). Mas te advirto, Paula: a partir de agora, não conte mais comigo como tua ferramenta.

Você me deu muitas coisas, me cumulou de atenções (excedendo-se, por sinal), me ofereceu presentes, me entregou perdulariamente o teu corpo, tentou me arrastar pra lugares a que acabei não indo, e, não fosse minha feroz resistência, até pessoas das tuas relações você teria dividido comigo. Não quero discutir os motivos da tua generosidade, me limito a um formal agradecimento, recusando contudo, a todo risco, te fazer a credora que pode ainda chegar e me cobrar: "você não tem o direito de fazer isso". Fazer isso ou aquilo é problema meu, e não te devo explicações.

Nem foi preciso fazer um voto de pobreza, mas fiz há muito o voto de ignorância, e hoje, beirando os quarenta, estou fazendo também o meu voto de castidade. Você tem razão, Paula: não chego sequer a conservador, sou simplesmente um obscurantista. Mas deixe este obscurantista em paz, afinal, ele nunca se preocupou em fazer proselitismo.

E já que falo em proselitismo, devo te dizer também que não tenho nada contra esse feixe de reivindicações que você carrega, a tua questão feminista, essa outra do divórcio, e mais aquela do aborto, essas questões todas que "estão varrendo as bestas do caminho". E quando digo que não tenho nada contra, entenda bem, Paula, quero dizer simplesmente que não tenho nada a ver com tudo isso. Quer saber mais? Acho graça no ruído de jovens como você. Que tanto falam em liberdade? É preciso saber ouvir os gemidos da juventude: em geral, vocês reclamam é pela ausência de uma autoridade forte, mas eu, que nada tenho a impor, entenda isso, Paula, decididamente não quero te governar.

Sem suspeitar da tua precária superioridade, mais de uma vez você me atirou um desdenhoso "velho" na cara. Nunca te disse, te digo porém agora: me causa enjôo a juventude, me causa muito enjôo a tua juventude, será que preciso fazer um trejeito com a boca pra te dar a idéia clara do que estou dizendo? É bastante tranqüilo este depoimento, é sossegado, ao fazê-lo, me acredite, Paula, não me doem os cotovelos. Está muito certa aquela tua amiga frenética quando te diz que sou "incapaz de curtir gentes maravilhosas". Sou incapaz mesmo, não gosto de "gentes maravilhosas", não gosto de gente, para abreviar minhas preferências.

Você me levava a supor às vezes que o amor em nossos dias, a exemplo do bom senso em outros tempos, é a coisa mais bem dividida deste mundo. Aliás, só mesmo uma perfeita distribuição de afeto poderia explicar o arroubo corriqueiro a que todos se entregam com a simples menção deste sentimento. Um tanto constrangido por turvar a transparência dessa água, há muito que queria te dizer: vá que seja inquestionável, mas tenho todas as medidas cheias dos teus frívolos elogios do amor.

Farto também estou das tuas idéias claras e distintas a respeito de muitas outras coisas, e é só pra contrabalançar tua lucidez que confesso aqui minha confusão, mas não conclua daí qualquer sugestão de equilíbrio, menos ainda que eu esteja traindo uma suposta fé na "ordem", afinal, vai longe o tempo em que eu mesmo acreditava no propalado arranjo universal (que uns colocam no começo da história, e outros, como você, colocam no fim dela), e hoje, se ponho o olho fora da janela, além do incontido arroto, ainda fico espantado com este mundo simulado que não perde essa mania de fingir que está de pé.

Você pode continuar falando em nome da razão, Paula, embora até o obscurantista, que arranja (ironia!) essas idéias, saiba que a razão é muito mais humilde que certos racionalistas; você pode continuar carreando areia, pedra e tantas barras de ferro, Paula, embora qualquer criança também saiba que é sobre um chão movediço que você há de erguer teu edifício.

Pense uma vez sequer, Paula, na tua estranha atração por este "velho obscurantista", nos frêmitos roxos da tua carne, nessa tua obsessão pelo meu corpo, e, depois, nas prateleiras onde você arrumou com criterioso zelo todos os teus conceitos, encontre um lugar também para esta tua paixão, rejeitada na vida.

Sabe, Paula, ainda que sempre atenta à dobra mínima da minha língua, assim como ao movimento mais ínfimo do meu polegar, fazendo deste meu canto o ateliê do desenhista que ia no dia-a-dia emendando traço com traço, compondo, sem ser solicitada, o meu contorno, me mostrando no final o perfil de um moralista (que eu nunca soube se era agravo ou elogio), você deixou escapar a linha mestra que daria caráter ao teu rabisco. Estou falando de um risco tosco feito uma corda e que, embora invisível, é facilmente apreensível pelo lápis de alguns raros retratistas; estou falando da cicatriz sempre presente como estigma no rosto dos grandes indiferentes.

Não tente mais me contaminar com a tua febre, me inserir no teu contexto, me pregar tuas certezas, tuas convicções e outros remoinhos virulentos que te agitam a cabeça. Pouco se me dá, Paula, se mudam a mão de trânsito, as pedras do calçamento ou o nome da minha rua, afinal, já cheguei a um acordo perfeito com o mundo: em troca do seu barulho, dou-lhe o meu silêncio.

No pardieiro que é este mundo, onde a sensibilidade, como de resto a consciência, não passa de uma insuspeitada degenerescência, certos espíritos só podiam mesmo se dar muito mal na vida; mas encontrei, Paula, esquivo, o meu abrigo: coração duro, homem maduro.

Não me telefone, não estacione mais o carro na porta do meu prédio, não mande terceiros me revelarem que você ainda existe, e nem tudo o mais que você faz de costume, pois recorrendo a esses expedientes você só consegue me aporrinhar. Versátil como você é, desempenhe mais este papel: o de mulher resignada que sai de vez do meu caminho.

Entenda, Paula: estou cansado, estou muito cansado, Paula, estou muito, mas muito, mas muito cansado, Paula. (Teu baby-doll, teus chinelos, tua escova de dentes, e outros apetrechos da tua toalete, deixei tudo numa sacola lá embaixo, é só mandar alguém pegar na portaria com o zelador.)

Ainda: "a velha aí do lado", a quem você se referia também como "a carcaça ressabiada", "o pacote de ossos", "a semente senil" e outras expressões exuberantes que o teu talento verbal sempre é capaz de forjar mesmo para falar das coisas mirradas da vida, nunca te revelei, Paula, te revelo agora: "aquele ventre seco" é minha mãe, faz anos que vivemos em kitchenettes separadas, ainda que ao lado uma da outra. Não seja tola, Paula, não estou te recriminando nada, sempre assisti com indiferença aos arremedos que você fazia da "bruxa velha, preparando a poção pra envenenar nossas relações". Te digo mais: você talvez tivesse razão, é provável que ela vivesse a espreitar minha porta das sombras da escadaria, é provável que ela do fundo dos corredores te olhasse "de um jeito maligno", é provável ainda que ela, matreira dentro do seu cubículo, te alcançasse todas as vezes que você saía através do olho mágico da sua porta. Mas contenha, Paula, a tua gula: você que, além de liberada e praticada, é também versada nas ciências ocultas dos tempos modernos, não vá lambuzar apressadamente o dedo na consciência das coisas; não fiz a revelação como quem te serve à mesa, não é um convite fecundo a interpretações que te faço, nem minha vida está pedindo esse desperdício. Quero antes lembrar o que minha mãe te dizia quando você, ao cruzar com ela, e "só pra tirar um sarro", perguntava maliciosamente por mim, te sugerindo eu agora a mesma prudência, se acaso amanhã teus amigos quiserem saber a meu respeito. Você pode dispensar "a ridícula solenidade da velha", mas não dispense o seu irrepreensível comedimento, responda como ela invariavelmente te respondia: "não conheço esse senhor".


Extraído do livro ""Menina a caminho", Companhia das Letras – São Paulo, 1997, pág. 61.

02 July 2009

Posso olhar pela fresta da janela que o que vejo não ainda será meu mundo. Meu é apenas o sentido de infinito que dou a isso, e com minhas palavras tenho assim meu próprio universo, minhas convenções.

Teu signo é vazio, sem sentindo. Não existe problema algum em nossa metafísica, em nossos mundos paralelos, mas os criamos e não suportamos a escuridão das noites e nem a liberdade do mar aberto a nossa frente. Nunca queremos estar sujeitos às tempestades.

O direito de sonhar e resistir é roubado de nós em nosso próprio cotidiano. Somos conscientes que a luz não nos pertence.

Não abandone sua essência, mas compreenda ser um humano no mundo, já que não possuímos o poder da verdade. Poderia caminhar sobre o abismo sem medo da dúvida e da confusão. Não vejo o mundo de forma límpida e não vejo a essência da verdade, caso ela exista. Só estou interpretando tudo, o sentido, a subjetividade.

Minha crítica é mercadoria, então o que eu ainda poderia ser?
Mercadoria disciplinada...

29 June 2009


"Olá borboletas, é sempre bom lhes reencontrar."

26 June 2009

"Clementine: Joely?
Joel: Yeah Tangerine?
Clementine: Am I ugly?
Joel: Uh-uh.
Clementine: When I was a kid, I thought I was. I can't believe I'm crying already. Sometimes I think people don't understand how lonely it is to be a kid, like you don't matter. So, I'm eight, and I have these toys, these dolls. My favorite is this ugly girl doll who I call Clementine, and I keep yelling at her, "You can't be ugly! Be pretty!" It's weird, like if I can transform her, I would magically change, too.
Joel: [kisses Clementine] You're pretty.
Clementine: Joely, don't ever leave me.
Joel: You're pretty... you're pretty... pretty..."

24 June 2009

Carta nº X

Querido,

Já faz tempo que não te escrevo, não!, digo, realmente, escrever.
É que por aqui as coisas são sempre as mesmas, você sabe, ou talvez não. Espero que esta te alcance, pois sei que não é de seu hábito manter longa estadia em lugar algum.
Você está longe, mas ainda é o seu sorriso que inspira minhas noites insones. Sete, uma para cada dia da semana, para cada uma das tuas cores que estão todas dentro de mim. Minha voz já não é a mesma, você não a reconheceria se pudesse escutar, às vezes penso que todos os meus sonhos não passaram de enganos, e às vezes, mas só às vezes, tenho vontade de me enterrar num trivial sem futilidades.

Por onde correm teus olhos nestes dias tão longos? Vê que já não conto o tempo, nem preciso fazê-lo para saber que se arrasta. Meu tempo sempre se arrasta e me dá a impressão de viver o mesmo tempo desde o início da consciência. Mas os instantes são breves, não é? Embora os dias sejam lentos, seus instantes são breves.

Tenho pena, tanta pena dos olhares jovens que encontro! Porque os jovens são facilmente explorados...Todos os jovens podiam ser artistas de nada. E eu arrasto rugas que o tempo ainda não me deu, tenho os ombros corcundas de carregar o marasmo.

Queria te ver. Já nem sei o que é do teu rosto sempre tão turvo, e me esqueço em teus dedos inábeis para o destino. Ou me engano, acaso não é você meu destino, vai ver destino é apenas mais uma distância, nota que as duas coisas se parecem, "todas as coisas se parecem", você dirá sem se parecer com nada.

Cruel você, mas eu também o sou. Estou só desde o primeiro dia em cheguei acompanhada de uma paixão que me tomou, me sufocou, dizimou e se mostrou não pertencer a mim.
Sabe, pouco me aguento em cronologias, há um monte de complexos no meu colchão, talvez devesse trocá-los por um livro que os pudesse explicar, que acha?

Quero olhos nas minhas paredes, no meu espelho, mas que olhos me quereriam avistar? Tenho saudades que só se entendem em linhas de poesia e em mudas canções inacabadas. Existem coisas em mim que só se resumem na falta de. Parece bobagem, mas a distância percorrida pelos pés me assusta, tenho vergonha deles. Dos meus e dos seus.
Estou cansada de sentir medo, vergonha. Vai saber o dia não se resolve apático.

M.

22 June 2009

Não gosto quando isso acontece. E isso não acontecia há muito tempo.
Deve ser minha incrível capacidade para querer o impossível.
A pior coisa. Aquela fadada a dar errado e causar caos e mágoa.



Mas não seria eu mesma se não fosse eu querendo o impossível.

17 June 2009

"Dunce"

Acho que eu ainda penso muito naquilo.
Ainda sinto muita falta do 'se'. Se a gente não tivesse dito adeus aquele dia. Se não houvesse tanto medo e tanto peso para carregar.
Nos vários talvez.
No que não foi dito. Ou o que foi dito demais.

Estava lembrando das madrugadas. Acho que era muito mais frias que qualquer outras que me lembre, ou talvez seja o eco do que sentia que me faz lembrar delas assim, glaciais.

De quando joguei tudo pro alto e fui. E quando você fugiu e se arrependeu.
E falou que você era exatamente como a música.

É, eu ainda penso demais nisso.




Dunce

Voltaire

I break the silence with my voice
and everyone turns around
to see the source of all the noise
and here i stand

its not as thought i mean to upset you
with the things i say and do
i should know better but i said so anyway

its easier to play a part
and read your lines
than freely speak what's
in your heart and in your mind
Is it me?
who says these things that so offend you?
Innapropriate and loud

i'd say I'm sorry
but it's hard to speak
with both feet in your mouth

all hail the king of dunces
You best hold on
I'm opening up my mouth
bring out the maypole
and tie up and shut me out
devil knows what possessed me
to shoot my arrow straight into the sky
string me to the mast and
hoist me up and hang me high
i put no blame on you
i brought this all upon myself
it's just this thing i do
at times like this
i wish i was someone else

there's a lever inside head
between my mouth and my brain
keeps me from hearing
what i've said until its too late
now it's too late
smear my lips with vaseline
because i'm a vocal libertine
I try to explain but even
i'm not quite sure what i mean

all hail the king of dunces
You best hold on
I'm opening up my mouth
bring out the maypole
and tie up and shut me out
devil knows what possessed me
to shoot my arrow straight into the sky
string me to the mast and
hoist me up and hang me high
i put no blame on you
i brought this all upon myself
it's just this thing i do
at times like this
i wish i was someone else

I don't know what to say
i was only trying to make you smile
and bring some needed levity
to your world for a while
i never meant to make you cry
but i did it all by myself
its just this thing i do
at times like this
i wish i was someone else

All hail the king of dunces...

All hail the king of fools
This boy's been bad
let's keep him after school
send me to the blackboard
and write a hundred times "i am the dunce"
devil knows what possessed me
to shut my mind and open up my mouth
string me to the anchor
and watch me drown in myself
Algumas músicas, e cd's inteiros, eu costumo associar a livros que estou lendo. Untouchables, do Korn, é um desses casos. Quando foi lançado fiquei escutando milhões de vezes enquanto lia os dois volumes do "A Hora das Bruxas", Anne Rice. Hoje quando escuto alguma música desse cd não tem como não lembrar da história.

Se não me engano esse livro não é mais editado. Uma das loucuras da autora depois de virar protestante foi não editar mais os livros dos quais ela detinha o direito (Anne Rice hoje em dia escreve sobre Jesus Cristo ao invés de seus clássicos vampiros e outros seres míticos) e aparentemente o A Hora das Bruxas é um desses livros...
Mas se quiser dá uma olhada: http://maisbook.blogspot.com/2008/09/hora-das-bruxas-volume-i-ii-anne-rice.html

Aliás, para quem gosta de Korn, o Untouchables é um dos últimos cd's que eles lançaram que eu gosto, e que vale a pena escutar inteiro.



Hollow Life
Korn

Beating the fall
I can’t help but desire of falling down this time
Deep in this hole of my making I can't escape
Falling all this time

We come to this place
Falling through time
Living a hollow life
Always we're taking
Waiting for signs
Hollow lives...

Fearing to fall and
Still the ground below me calls
Falling down this time
Ripping apart all
These things I have tried to stop
Falling all this time

We come to this place
Falling through time
Living a hollow life
Always we're taking
Waiting for signs
Hollow lives...

Is there ever any wonder why we look to the sky?
Search in vane?
Asking why?
All alone?
Where is God?
Looking down?
We don’t know?

We fall in space,
We can't look down,
Death may come
Peace I have found
What to say?
Am I alive,
Am I asleep?
Am for I died

(Wanting Peace)
We fall in space
(Wanting Peace)
We can't look down,
Death may come,
(Something takes a hold of me)
Peace I have found
(Something takes a hold of me)
I want to say my whole life,
Am I asleep?
We fall down.

We come to this place
Falling through time,
Living a hollow life,
Always we're taking
Waiting for signs,
Hollow lives...

Is there ever any wonder why we look to the sky?
Search in vane?
Asking why?
All alone?
Where is God?
Looking down?
We don’t know?

We fall in space
We can't look down
Death may come.
Peace I have found

25 May 2009

Elis Regina cantando "Atrás da Porta" é tão lindo, tão lindo... e me trás tantas lembranças. Engraçado como as coisas passam, mas as sensações continuam forte mesmo depois de tanto tempo.

Quando escuto essa música parece que sou eu ali chorando de novo e tentando "provar que ainda sou tua".

07 May 2009

"Yeah, you're sorry, I'm sorry, everybody's sorry, but... I can't do this anymore.
I can't.
And I won't."

29 April 2009

Makes da Sephora?
Sim, por favor, e embala para viagem!

Isso é tão "Delírios de Consumo de Becky Bloom"...

22 April 2009

Lenine me deixa nostálgica. Muito.

Distantes Demais
Lenine

Somos somente a fotografia.
Dois navegantes perdidos no cais
Distantes demais.

Somos instantes, palavras, poesia
Dois delirantes ficando reais
Distantes demais

Noites de sol, loucos de amar,
Quem poderia nos alcançar.
Eu e você, sem perceber,
Fomos ficando iguais,
Longe,
Distantes demais

14 April 2009

Eu sou assim um pouco obsessiva demais sabe...
Quando gosto, gosto muito, e quando não...

E o que acontece hein? Não entendo.
E nem quero.

16 March 2009

*content deleted*

11 February 2009

Meu novo vício: http://blip.fm/aggressive ^_^
Muito bom poder fazer uma playlist sem precisar dar upload e ficar horas procurando músicas. Apesar de não achar 100¢ do que gostaria de escutar por lá, acho pelo menos uns 80¢, o que já acho muito bom.

Incrível como coisas bobas como música, ou compras, me deixam TÃO bem e relaxada. Diria até feliz.

30 January 2009

Almost Blue com Chet Baker me faz querer ser outra pessoa em outro lugar.

Arrepios.

A música mais linda que já escutei.

Almost blue
Almost doing things we used to do
There's a girl here and she's almost you
Almost
All the things that your eyes once promised
I see in hers too
Now your eyes are red from crying

Almost blue
Flirting with this disaster became me
It named me as the fool who only aimed to be

Almost blue
It's almost touching it will almost do
There's a part of me that's always true... always

Not all good things come to an end now, it is only a chosen few
I have seen such an unhappy couple

Almost me

Almost you

Almost blue
Oh my, como eu não suporto ciúmes e sentimento de posso.
Acho que nunca vou aprender a lidar com essas coisas.
Mas POR QUE as pessoas insistem em ter esses sentimentos tão destrutivos?

19 January 2009

Gosto de sentar na mesa da lanchonete, meu café quente, ler jornal sem muita pressa.
Gosto de me divertir com amigos e pessoas legais numa tarde de chuva, comendo muito e falando besteira.
Simples como deveria ser.

É o que tenho de suave, e me faz tão mal.

14 January 2009

Depois ainda perguntam por que falo o que costumo falar, por que penso essas coisas, por que tenho esse instinto assassino homicida-suicida.
Por que?
Porque a vida é nada.

02 January 2009

É ano novo de novo e não sinto nenhuma diferença. Nem preciso, mas não sinto necessidade mais em fazer desse rito algo realmente significativo. Amadurecer é duro para quem se deixa crescer e afastar os mitos de perfeição da vida humana.
O bom são meus amigos perto.

se eu pudesse pedir algo para esse ano novo seria que os fantasmas dos natais passados parassem de tentar aparecer de novo: vocês não tem mais espaçao e eu sempre os vejo por aqui.