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18 August 2010

Eu não sou um ser estático, nunca fui. Mas também nunca deixei de sentir aquilo que me fez mudar em meu eixo, aquilo que me fez que sou. Nunca neguei minha essência, por mais que isso tenha incomodado a quem me tinha valor, como já disse, é parte do que sou.

O pior e o melhor sempre fizeram parte de mim, e posso dizer que agora sei ser a filhadaputa que queriam que eu fosse no passado, mas ainda sei ver com olhos de quem acredita nos outros. Eu tenho meu passado, que queria que voltasse, e o meu presente, que eu não poderia pedir melhor. Ou poderia, mas, comparando com antes... não.

Hoje sou o que já fui e o que sempre quis ser, mas ainda não me sinto satisfeita. Casar não quero, e filhos desisti, era muito a idéia dos meus 20 anos, aquela quem acreditava no melhor de mim e do mundo e não conhecia bem a realidade. E mesmo naquela época me ensinaram o quão doloroso isso poderia ser.E mesmo naquela época eu fui forçada a desistir.

O fato é, hoje sou mais feliz do que nunca fui, o que não me impede de relembrar e sentir falta do meu passado, dos meus sonhos, das facilidades.
E ainda mais de ti, já que nunca tivemos a oportunidade de nada, e que tudo foi tão cedo. E tudo se resumiu ao medo.

Assumo, por ti eu abriria mão do meu presente certo, por um mero talvez. Por ti, e pela incerteza do que a gente nunca conheceu.

10 May 2010

Você acharia bobo se visse como eu imagino o quê um dia poderíamos ter sido. As coisas que fariamos juntos, todos clichês, todos fins de tarde num parque deitados no chão, rindo como se o mundo fosse somente aquilo: eu e você felizes por estarmos exatamente onde queríamos estar.

Todas as noites frias em que dormiríamos abraçados, ou de como eu riria dos seus cabelos bagunçados ao acordar, ou do dia em que eu iria tentar te barbear e você secretamente teria medo de que eu te cortasse.

Das coisas pequenas, dos desastres na cozinha e jantares não-programados, de como teríamos um ao outro e mesmo longe do resto não nos sentiríamos sozinhos.

Todas as cenas que nunca se concretizaram, todas as músicas que nunca ouvimos juntos, mas que mandamos um para o outro.

Dos filmes no sofá, das guerras de pipoca, de rolar no tapete fazendo cócegas um no outro, dos beijos, dos cheiros, eu sinto falta de tudo.

Desse futuro inventado que teria sido nossa história.

O que mais dói é saber que eu não quis tudo isso sozinha. E o quanto eu e você sempre pareceu tão certo.